Em nota técnica, agência traça o cenário epidemiológico diante da evolução da covid-19 com a variante ômicron
Da redação
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) publicou nesta quarta-feira, 12 de janeiro, nota técnica na qual recomenda ao Ministério da Saúde e à Casa Civil da Presidência da República a suspensão definitiva de cruzeiros na costa brasileira durante a temporada 2021/2022, devido ao cenário desfavorável da evolução da covid-19, bem como da variante ômicron no país. No documento, a agência apresenta dados epidemiológicos coletados desde o início da temporada, em 1º de novembro de 2021.
Entre as cinco embarcações que estão no Brasil, das companhias MSC e da Costa Cruzeiros, três foram classificadas no Nível 04, ou seja, tiveram as operações suspensas devido ao número de casos de covid-19 a bordo. Entre 04/11/2021 e 06/01/2022 foram identificados 1.177 casos entre passageiros e tripulantes, sendo que esses últimos correspondem a 57% dos testes positivos. Segundo a Anvisa, “a ocorrência de infecção entre a tripulação agrega maior grau de risco às operações dos navios”.
Outro dado que contribuiu para a recomendação da suspensão definitiva da atual temporada no Brasil foi o aumento de casos de covid-19 nas embarcações observado a partir de 27 de dezembro de 2021, sugerindo que a efetividade dos protocolos tenha sido alterada em decorrência da transmissão mais intensa da variante ômicron. O Boletim Extraordinário do Observatório de covid-19 da Fiocruz, de 07/01, também citado pela Anvisa, destaca que “o novo crescimento de casos de covid-19 observado em diversas regiões do país coloca um novo alerta sobre a pressão que pode exercer sobre o sistema de saúde, em especial pela demanda de recursos complexos”.
Em 31 de dezembro de 2021, a Anvisa havia recomendado a suspensão temporária da temporada brasileira. Em reação ao comunicado, a Associação Brasileira de Navios de Cruzeiros (CLIA Brasil) anunciou a suspensão voluntária das operações nos portos brasileiros até 21 de janeiro de 2022, a fim de que os órgãos governamentais e companhias marítimas avaliassem novos procedimentos para a continuidade das operações.
Na atual nota técnica, a Anvisa afirma que “ainda é bastante incerto como o perfil epidemiológico em embarcações de cruzeiros, em um contexto de pandemia de covid-19, se desenvolverá, mesmo considerando o aumento da vacinação da população e com ampla disponibilidade comercial de testes com alta sensibilidade e especificidade para detecção de infecção pelo SARS-CoV-2 em viajantes.”
E agora?
Apesar das recomendações da Anvisa, a temporada de cruzeiros no Brasil segue indefinida. O Ministério da Saúde e a Casa Civil ainda não se pronunciaram quanto à nota técnica, e as companhias, junto ao Ministério do Turismo e técnicos do setor, estão trabalhando para retomar os cruzeiros no dia 21 de janeiro.
Enquanto isso, nos Estados Unidos, o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) autorizou a retomada das operações das companhias a partir de 16 de janeiro, após instituir um novo programa voluntário de covid-19. Isso significa que linhas de cruzeiros, tanto americanas como internacionais, que adotarem o programa de mitigação de risco à covid-19 atuarão em parceria estreita com o CDC, tanto no monitoramento de casos como na revisão de protocolos