Veterano de cinco Copas do Mundo, três Olimpíadas e cerca de 50 cruzeiros, André Coutinho volta ao palco do Krooze Awards
Por Aline Andrade
Poucos profissionais transitam com tanta naturalidade entre diferentes universos quanto André Coutinho. Conhecido por sua sólida trajetória no jornalismo esportivo, o apresentador e repórter da Band construiu uma carreira marcada por grandes coberturas internacionais, incluindo cinco Copas do Mundo e três Olimpíadas. Mas, paralelamente aos gramados, estádios e arenas, uma outra paixão cresceu ao longo dos anos: as viagens.
Hoje, André é uma das referências quando o assunto é turismo e viagens, especialmente no segmento de cruzeiros, que ocupa um espaço especial em sua vida, tanto pessoal quanto profissional.
Além disso, em 2025 ele conquistou o público do Krooze Awards ao conduzir a cerimônia com leveza, inteligência e bom humor. Este ano retorna ao palco da principal premiação da indústria de cruzeiros do Brasil para sua segunda participação consecutiva como mestre de cerimônias.
Viagens e cruzeiros: uma paixão que nasceu muito antes das câmeras
A relação de André com as viagens começou muito antes de elas se tornarem pauta profissional. Segundo ele, desde os primeiros anos da vida adulta, viajar era prioridade absoluta.
“Desde cedo, quando comecei a trabalhar, a primeira coisa que fiz foi me organizar para comprar um apartamento. Depois veio o carro. Mas tudo o que sobrava do meu dinheiro era investido em viagens”, conta.
Mesmo após o casamento com a produtora da BandNews, Marcela Thompson, a lógica continuou a mesma. Não importava o tamanho do orçamento disponível: sempre havia espaço para explorar um novo destino. “Se sobrava pouco, era uma viagem curta. Se sobrava mais, era uma viagem longa. Viajar sempre foi uma paixão.”

Ao mesmo tempo, as frequentes coberturas esportivas internacionais despertavam nele outro interesse: contar histórias dos lugares visitados. “Eu gostava muito de mostrar os destinos, as pessoas, a cultura local. Em determinado momento, percebi que gostava quase mais de fazer uma cobertura turística do que uma cobertura esportiva.”
Foi dessa percepção que surgiu, entre 2016 e 2017, a ideia de criar um programa de turismo dentro da rádio. O projeto cresceu rapidamente, ganhou espaço nas redes sociais, migrou para a televisão e encontrou na pandemia um ponto de virada. “A editoria de turismo ganhou muita relevância durante a retomada das viagens. Foi nesse momento que cresci bastante dentro do Grupo Bandeirantes.”

Hoje, André acumula quase uma década de atuação dedicada ao turismo.
Uma parceria dentro e fora das viagens
A paixão por explorar o mundo também acabou se tornando um projeto familiar. Marcela, sua esposa, passou a trabalhar diretamente ao seu lado conforme a produção de conteúdo cresceu. Arquiteta de formação e empresária, ela precisou mergulhar no universo audiovisual para acompanhar a expansão do projeto.
“Quando comecei a produzir mais imagens, percebi que não conseguia fazer tudo sozinho. Ela acabou se especializando e entrou oficialmente nos contratos comigo.”
Atualmente, os dois dividem não apenas as viagens, mas também a produção de conteúdo e as experiências ao redor do mundo.
O cruzeiro que mudou tudo
Curiosamente, a história de amor entre André e Marcela começou graças a um cruzeiro. Seu primeiro embarque aconteceu entre 2004 e 2005, quando ainda era solteiro e viajava com amigos. Foi nessa viagem que conheceu a melhor amiga de Marcela. Tempos depois, durante uma festa de aniversário dessa amiga, conheceu aquela que se tornaria sua esposa.
“Foi por causa do cruzeiro que conheci a Marcela. Ela não estava naquela viagem, mas a conexão aconteceu por causa dela.” Apesar da coincidência, a verdadeira paixão pelos navios surgiu alguns anos depois, já ao lado da esposa.
“Quando fizemos um cruzeiro juntos, com amigos, e começamos a viver aquela experiência de fazer amizades a bordo, conhecer lugares diferentes e ter tudo tão fácil, foi quando me apaixonei de verdade.”
A partir daí, os cruzeiros passaram a fazer parte de praticamente todos os roteiros do casal. “Se íamos para Orlando, encaixávamos um cruzeiro. Se viajávamos para Nova York, encaixávamos um cruzeiro. Sempre encontrávamos uma desculpa para embarcar.”
Hoje, André estima ter realizado entre 40 e 50 cruzeiros. Somente entre 2024 e 2026, foram 21 viagens marítimas.
Cruzeiros para todos os estilos de viagem
Depois de tantas experiências, André acredita que a principal força dos cruzeiros está na capacidade de reunir pessoas com interesses completamente diferentes. “É uma viagem que funciona para qualquer perfil de viajante.” Para ele, poucas modalidades conseguem acomodar tão bem diferentes estilos, idades e expectativas.
“Quando amigos falam em viajar juntos, eu digo: só se for de navio. Um quer acordar cedo, outro quer dormir até mais tarde, um quer ir para a praia, outro para o museu. No navio cada um faz o que gosta e, no final do dia, todos se encontram.”
A mesma lógica vale para famílias. “É uma viagem à prova de conflitos.” Ao mesmo tempo, ele ressalta que o planejamento exige conhecimento especializado. “Parece uma viagem simples, mas não é. Existem muitos detalhes que podem impactar a experiência. Por isso, o papel do agente de viagens continua sendo fundamental.”
Antártica e cruzeiros por rios europeus: experiências que marcaram sua carreira
Entre tantas viagens realizadas profissionalmente, duas experiências permanecem especialmente vivas em sua memória.

A primeira foi uma expedição à Antártica, lugar que jamais imaginou visitar. Segundo ele, a experiência vai muito além das paisagens geladas. “Muita gente acha que a Antártica é apenas gelo e branco. Mas cada desembarque é diferente. Existem inúmeros tons de branco, diferentes animais, diferentes experiências. É um lugar muito difícil de explicar.”
O embarque aconteceu em um navio de ultra luxo, algo que o fez compreender um novo significado para o conceito de luxo. “O luxo não está apenas na cabine ou na gastronomia. Está na segurança, no conforto e na possibilidade de viver uma experiência extrema da melhor forma possível.”

Outra viagem transformadora foi seu primeiro cruzeiro fluvial. A experiência foi tão marcante que mudou completamente sua visão sobre esse segmento. “Quando você fala em cruzeiro, muita gente pensa em navios gigantes, piscinas e entretenimento. O fluvial não tem nada a ver com isso.”
Para André, trata-se praticamente de uma categoria própria de viagem.
“Você está no centro das cidades, entra e sai quando quiser, passeia de bicicleta, não precisa passar por controles o tempo inteiro. É uma experiência muito mais focada no destino.”
Segundo ele, o mercado brasileiro ainda tem muito espaço para descobrir esse produto.
O palco do Krooze Awards
Os navios ocupam um espaço importante na trajetória de André Coutinho, enquanto o Krooze Awards simboliza o amadurecimento da indústria de cruzeiros no Brasil.
Em 2025, André comandou a cerimônia de premiação e agora retorna para sua segunda participação consecutiva. “O evento cresceu muito rápido.” A premiação já era relevante quando acontecia apenas em formato editorial. Com a cerimônia presencial, o reconhecimento ganhou ainda mais força. “Hoje existe tapete vermelho, teatro, smoking, toda uma celebração que valoriza o setor.”
Aliás, foi justamente no Krooze Awards que ele usou smoking pela primeira vez. “Foi a primeira vez que apresentei um evento de smoking. E adorei.”

Além do glamour, André destaca o papel estratégico da premiação para o mercado. “O Krooze Awards ajuda a mostrar tendências, lançamentos e o que existe de mais relevante no setor.”
De acordo com ele, isso é especialmente importante para o viajante brasileiro. “O brasileiro gosta de novidades. Gosta de conhecer o navio mais moderno, a experiência mais diferente, o lançamento mais recente. O Krooze Awards antecipa tudo isso.”
Improviso, experiência e conexão com o público
Quem assistiu à edição passada percebeu a naturalidade com que André conduziu a cerimônia. Mas existe um detalhe curioso: praticamente nada é ensaiado. “Todas as brincadeiras e improvisos acontecem na hora.”
A habilidade vem de décadas trabalhando ao vivo em rádio e televisão. “Você aprende a entender o que cabe e o que não cabe. Mas continua sendo um risco. O palco ao vivo sempre exige atenção.” Mesmo assim, ele garante que prefere confiar na experiência construída ao longo da carreira. “Até hoje tem dado certo.”
‘Eu moraria em um navio’
Depois de tantos embarques, destinos e experiências, a pergunta parece inevitável: o que ainda faz André Coutinho se encantar pelo universo dos cruzeiros?
A resposta vem sem hesitação. “Eu moraria em um navio.”
Mais do que as atrações, os restaurantes ou os destinos, é a sensação de estar a bordo que continua despertando nele um entusiasmo genuíno. “O cheiro do navio, a maresia, os corredores, a movimentação… tudo isso me traz uma sensação de conforto.” Independentemente da companhia ou do destino, a adaptação acontece quase instantaneamente. “Eu me sinto em casa.”
Conexão que também reflete no trabalho
Para quem produz conteúdo durante as viagens, os navios oferecem algo raro: previsibilidade. “O navio está ali. Se você perdeu uma gravação, consegue voltar depois. Se precisa revisar uma imagem, tem tempo. Em outros tipos de viagem isso nem sempre é possível.”
Talvez seja justamente essa combinação de praticidade, descobertas e experiências humanas que explica por que, depois de quase 50 cruzeiros, André Coutinho continua embarcando com o mesmo entusiasmo de quem está prestes a viver sua primeira viagem.
E, neste ano, levará novamente essa paixão ao palco do Krooze Awards, ajudando a celebrar uma indústria que acompanha de perto há décadas, primeiro como viajante apaixonado, depois como jornalista e, agora, como um dos seus principais apresentadores.
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