Presidente da Clia Brasil, Marco Ferraz, apresentou impacto econômico de US$ 198,8 bilhões e oportunidades para o turismo brasileiro durante seminário
Por Aline Andrade
O Seminário LIDE Turismo, realizado nesta quarta-feira (10), em São Paulo, abriu espaço para um dos debates importantíssimos do evento: o painel sobre cruzeiros marítimos internacionais.
Com o tema “Brasil no radar dos cruzeiros marítimos internacionais para viagens, convenções e eventos”, o painel reuniu representantes da MSC Cruzeiros, Costa Cruzeiros, Norwegian Cruise Line, da CLIA Brasil, além de especialistas em turismo e infraestrutura do setor.
A apresentação de abertura do painel ficou por conta de Marco Ferraz, presidente da Associação Brasileira de Cruzeiros Marítimos (CLIA Brasil), que trouxe números atualizados da indústria global e brasileira de cruzeiros, mostrando um setor em forte expansão e com alta capacidade de geração de empregos e receita.

Crescimento global acelera e deve chegar a 42 milhões de cruzeiristas em 2029
Segundo os dados apresentados por Ferraz, a indústria de cruzeiros fechou 2025 com 37,3 milhões de hóspedes em todo o mundo, número quase 20 vezes maior do que o registrado em 1985, quando havia 1,9 milhão de cruzeiristas.
A projeção da CLIA aponta que o setor ultrapassará a marca de 42 milhões de cruzeiristas em 2029, impulsionado principalmente pela demanda nos segmentos premium, luxo e expedição.
Hóspedes marítimos globais (1985–2029)
| Ano | Hóspedes (milhões) |
|---|---|
| 1985 | 1,9 |
| 2025 | 37,3 |
| 2029 (projeção) | 42,1 |

Top 5 destinos globais em 2025
| Destino | Cruzeiristas |
|---|---|
| Caribe / Bahamas / Bermuda | 16,27 milhões |
| Mediterrâneo | 5,96 milhões |
| Europa (não-Med) | 3,22 milhões |
| Ásia + China | 3,11 milhões |
| Hawaii / Costa Pacífico EUA | 1,79 milhão |
Ferraz destacou que quatro em cada dez cruzeiristas do mundo navegam no Caribe e um em cada seis no Mediterrâneo, o que evidencia a concentração da demanda nesses dois grandes polos turísticos.
Brasil aparece na 8ª posição mundial entre os mercados emissores
Apesar de ainda representar uma fatia pequena do mercado global, o Brasil já ocupa a 8ª posição entre os principais países emissores de cruzeiristas, com cerca de 780 mil viajantes em 2025.
Top países emissores de cruzeiros em 2025
| País | Cruzeiristas |
|---|---|
| Estados Unidos | 20,6 milhões |
| Alemanha | 2,8 milhões |
| UK + Irlanda | 2,5 milhões |
| Austrália | 1,4 milhão |
| Canadá | 1,3 milhão |
| Brasil | 780 mil |
Baixa penetração mostra espaço para expansão
O executivo chamou atenção para a baixa penetração dos cruzeiros na população brasileira. Enquanto 6% dos norte-americanos fazem um cruzeiro por ano, no Brasil esse índice é de apenas 0,35%.
Penetração de cruzeiros na população
| País | Penetração |
|---|---|
| EUA | 6,0% |
| Austrália | 5,2% |
| Canadá | 3,4% |
| Alemanha | 3,33% |
| Brasil | 0,35% |
Investimentos bilionários e falta de espaço nos estaleiros
Outro ponto enfatizado foi o forte ciclo de investimentos da indústria. Estão encomendados 63 novos navios entre 2026 e 2039, o que adicionará 207 mil leitos e ampliará a capacidade global em 31%.

O investimento total previsto é de US$ 78,1 bilhões. Marco Ferraz afirmou que o crescimento é tão acelerado que o setor já enfrenta dificuldades para encontrar espaço disponível nos estaleiros internacionais.
Impacto econômico global e alta satisfação dos viajantes de cruzeiros
A indústria de cruzeiros gerou US$ 198,8 bilhões em impacto econômico global em 2024 e sustentou cerca de 1,8 milhão de empregos, o equivalente a um emprego para cada 19 hóspedes transportados.
Os indicadores de satisfação também foram destacados:
- 89,7% dos hóspedes pretendem voltar a fazer um cruzeiro;
- 27,7% realizam mais de uma viagem por ano;
- 75,6% das pessoas que nunca fizeram um cruzeiro estão abertas à experiência;
- 78,4% afirmam ter alta probabilidade de reservar uma viagem nos próximos dois anos.
Além disso, 70% dos viajantes fazem excursões em terra e 60% retornam posteriormente aos destinos visitados, o que reforça o efeito multiplicador dos cruzeiros sobre o turismo local.
Brasil movimenta R$ 06 bilhões com cabotagem e operações internacionais
No cenário brasileiro, Ferraz apresentou dados da temporada 2025/2026 que mostram a relevância econômica do setor:
- 38 navios operando no país;
- 93,7 mil empregos gerados;
- R$ 06 bilhões em impacto econômico total;
- 30 destinos brasileiros atendidos por cruzeiros, incluindo Manaus, Belém, Santarém, Parintins, Rio de Janeiro, Santos e Rio Grande.
Somente a cabotagem responde por 84,6 mil empregos e R$ 5,4 bilhões em movimentação econômica.
“O turismo precisa ser visto como um projeto estratégico nacional e não apenas como um setor isolado da economia”, afirma Ferraz.
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