Projeto prevê transferência do terminal de passageiros para o Valongo, três navios simultâneos e integração com o Centro Histórico
Por Aline Andrade
O Porto de Santos pode passar por uma das principais mudanças de infraestrutura para o turismo marítimo brasileiro nos próximos anos. O projeto prevê a transferência do atual Terminal Marítimo de Passageiros Giusfredo Santini, administrado pela Concais e localizado em Outeirinhos, para a região do Valongo, próxima ao Centro Histórico de Santos. A proposta foi novamente apresentada durante o 8º Fórum CLIA Brasil 2026, realizado em Brasília, em meio aos debates sobre infraestrutura e competitividade do setor.
A nova estrutura está prevista para uma área maior e poderá operar até três navios simultaneamente, com capacidade estimada de aproximadamente 6 mil hóspedes por embarcação. Segundo a Prefeitura de Santos, o investimento estimado é de R$ 1,2 bilhão e a previsão municipal atual aponta para operação em 2031.

O projeto, porém, ainda depende de decisões relacionadas à infraestrutura portuária federal. A principal questão envolve o Tecon Santos 10, megaterminal de contêineres planejado para o Porto de Santos. O modelo originalmente definido estabeleceu que o futuro arrendatário do terminal seria responsável por executar a infraestrutura marítima necessária para viabilizar o novo terminal de cruzeiros.
A ligação com o Tecon Santos 10
A relação entre os dois projetos é um dos principais pontos de atenção. Documentos da Antaq mostram que a modelagem do Tecon Santos 10 considerou a transferência do terminal de passageiros para o Valongo e a construção da infraestrutura sobre a qual a nova instalação seria implantada. Entre os itens estão a base sobre água, o píer e intervenções relacionadas à dragagem.
A questão é que o leilão do Tecon Santos 10 vem enfrentando sucessivos adiamentos e discussões no âmbito federal. Em agosto de 2026, o diretor-geral da Antaq, Frederico Dias, afirmou que o empreendimento deverá ser levado a leilão em 2027.
A espera cria um efeito direto sobre o cronograma do terminal de cruzeiros. A construção da infraestrutura marítima, inicialmente vinculada ao vencedor do Tecon Santos 10, precisa ser destravada para que a transferência das operações possa avançar.
Como será o novo terminal
A mudança para o Valongo não representa apenas uma troca de endereço. O conceito prevê uma estrutura voltada a grandes navios de cruzeiro e integrada à região central da cidade.
Entre as características projetadas estão três berços dedicados aos cruzeiros, áreas de embarque e desembarque ampliadas e conexão direta entre o terminal e os navios por meio de passarelas. O projeto também considera a utilização de shore power, sistema que permite ao navio receber energia elétrica do continente enquanto permanece atracado, reduzindo a necessidade de manter seus motores em funcionamento.

A localização também é estratégica. O Valongo fica próximo a atrações como o Museu Pelé, Museu do Café e o sistema turístico de bonde, além de restaurantes, comércio e outros serviços do Centro Histórico. A expectativa da administração municipal é fazer com que parte dos hóspedes permaneça mais tempo na cidade e tenha acesso direto aos equipamentos turísticos.
Impacto para os cruzeiros
O novo terminal tem a intenção de ampliar a capacidade operacional e reduzir a dependência de berços compartilhados com operações de carga. O próprio setor de cruzeiros aponta a infraestrutura portuária como um dos fatores que interferem na competitividade brasileira.
O desafio, portanto, não está apenas na construção de um novo edifício. Para que o projeto avance, será necessário resolver questões que passam pelo Governo Federal, Antaq, Tribunal de Contas da União e Autoridade Portuária de Santos.

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