Roteiro inédito pelos Três Lagos combina navegação intimista, experiências gastronômicas e enoturismo
Por Aline Andrade
A Suíça, tradicionalmente associada aos Alpes, relógios e chocolates, está apostando em uma nova forma de turismo náutico. Mesmo sem acesso ao mar, o país lançou recentemente uma experiência de cruzeiro pelos lagos da região do Jura e dos Três Lagos, oferecendo uma alternativa singular aos tradicionais roteiros marítimos e fluviais da Europa.
A novidade acontece a bordo do MS Attila, um antigo cargueiro transformado em um elegante navio boutique com apenas nove cabines. O roteiro de três noites percorre os lagos de Murten, Biel e Neuchâtel, conectados pelos canais Broye e Zihl, em uma viagem que combina natureza, gastronomia local, atividades ao ar livre e degustações de vinhos suíços.

A experiência reforça uma tendência crescente no mercado de cruzeiros: a busca por itinerários menores, mais exclusivos e voltados para a imersão cultural nos destinos visitados.
Suíça: navegação intimista em uma região pouco conhecida
Diferentemente dos grandes navios oceânicos, o MS Attila foi criado para explorar áreas inacessíveis às embarcações tradicionais. A navegação acontece em meio a vinhedos, fazendas, pequenas marinas e vilarejos tranquilos, revelando uma face menos conhecida da Suíça.
Os três lagos que compõem o roteiro atingem temperaturas agradáveis durante o verão europeu, permitindo inclusive mergulhos diretamente da embarcação. A água cristalina e as paisagens preservadas transformam a viagem em uma experiência de contato direto com a natureza.

Outro destaque é a passagem pelo Canal Zihl, onde uma ponte construída abaixo da altura prevista obrigou a embarcação a adotar uma solução engenhosa: um lounge retrátil instalado no convés superior, que se recolhe para permitir a travessia.
Gastronomia local como parte da viagem
A gastronomia é parte fundamental da experiência a bordo do MS Attila. Embora o cardápio seja propositalmente enxuto, a proposta valoriza a qualidade e a autenticidade dos ingredientes locais. Os hóspedes começam o dia com um café da manhã farto preparado pela equipe da embarcação e, ao longo da viagem, desfrutam de petiscos sazonais e especialidades regionais cuidadosamente selecionadas. O conceito privilegia a conexão com os destinos visitados, incluindo paradas em restaurantes parceiros da região. Para encerrar a jornada em grande estilo, o tradicional Jantar do Capitão reúne os viajantes em uma noite especial, acompanhada por bebidas, coquetéis e vinhos locais que refletem a rica cultura gastronômica da Suíça.


A proposta acompanha uma tendência já observada em diversos cruzeiros de luxo e expedição, nos quais a autenticidade gastronômica ganha cada vez mais relevância para os viajantes.
Vinhedos, ilhas e paisagens que surpreendem
Entre os pontos altos do roteiro está a travessia do Lago Biel, cercado por praias, colinas e extensos vinhedos. Uma das paradas acontece na Ilha de São Pedro, um refúgio natural ligado à história do filósofo Jean-Jacques Rousseau, que viveu no local durante um período de exílio no século XVIII.

A região também é conhecida pela produção de vinhos suíços, especialmente o chasselas. Apesar da qualidade reconhecida, a maior parte da produção permanece no mercado interno, fazendo com que apenas cerca de 1% dos rótulos seja exportada.
As visitas às vinícolas locais permitem aos viajantes conhecer de perto um dos segredos mais bem guardados da enologia europeia.
Próximo aos grandes roteiros de cruzeiros europeus
Embora esteja distante do litoral, a região dos Três Lagos pode ser facilmente combinada com cruzeiros marítimos pelo Mediterrâneo ou com cruzeiros fluviais pelos rios da Europa.
Os aeroportos internacionais de Genebra e Zurique funcionam como principais portas de entrada para o roteiro. Genebra, em especial, está localizada a cerca de duas horas de trem de Murten, ponto de embarque do MS Attila.

Para viajantes que desembarcam de cruzeiros marítimos em portos próximos, a extensão também se mostra viável. Portos como Marselha, na França, e Savona ou Gênova, na Itália, frequentemente utilizados por companhias como Costa Cruzeiros, MSC Cruzeiros e outras linhas europeias, possuem conexões ferroviárias e aéreas eficientes com a Suíça.
A experiência também pode complementar roteiros de cruzeiros fluviais pelo Rio Reno, cujo principal porto suíço está na cidade de Basileia, uma das mais importantes portas de entrada para navegações pela Europa Central.
Um novo conceito de cruzeiro
A proposta do MS Attila demonstra que a experiência de navegar não está necessariamente ligada ao oceano. Ao combinar lagos alpinos, patrimônio histórico, vinhedos e gastronomia regional, a Suíça cria um produto capaz de atrair tanto os apaixonados por cruzeiros quanto viajantes em busca de experiências exclusivas e autênticas.


Em um momento em que o turismo valoriza cada vez mais destinos menos massificados e roteiros personalizados, os Três Lagos suíços surgem como uma das novidades mais interessantes da navegação europeia.
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