Estudo da FGV para a CLIA Brasil mostra que o país já é o principal mercado emissor da América do Sul e ocupa a oitava posição mundial
Por Aline Andrade
O mercado global de cruzeiros encerrou 2025 em um novo patamar. Segundo dados da Clia Brasil, segundo estudo da Fundação Getulio Vargas (FGV), 37,2 milhões de cruzeiristas viajaram pelo mundo no ano, o terceiro recorde consecutivo da série histórica. A entidade projeta que o crescimento continue até o fim da década, sustentado pela expansão da demanda e pelo aumento da capacidade da indústria.
Nesse cenário, o Brasil aparece em uma posição que merece atenção. O país foi, em 2025, o oitavo maior mercado emissor de cruzeiristas do mundo e integra um grupo restrito de dez países que, juntos, representam aproximadamente 88% do mercado global.

O dado é relevante porque muda a forma de analisar o Brasil dentro da indústria. O país não é apenas um destino para os navios internacionais: existe também uma base significativa de viajantes brasileiros que consome cruzeiros, tanto em roteiros nacionais quanto no exterior.
Brasil lidera a América do Sul
A posição brasileira ganha ainda mais importância quando o recorte passa a ser regional. O Brasil é o principal mercado emissor de cruzeiristas da América do Sul, respondendo por mais da metade dos viajantes da região.

A liderança é explicada por uma combinação de fatores estruturais como população, tamanho do mercado turístico e capacidade de gerar demanda para diferentes tipos de itinerários. Isso coloca o Brasil em uma posição de influência sobre o desenvolvimento do mercado sul-americano.

Na prática, o comportamento do consumidor brasileiro interessa às companhias de cruzeiros não apenas para definir a oferta de produtos no país, mas também para decisões relacionadas a destinos internacionais, posicionamento de navios e estratégias comerciais.
O tamanho do mercado ainda não significa maturidade plena
O avanço brasileiro precisa, entretanto, ser interpretado com cautela. Estar entre os dez maiores mercados emissores não significa que o país tenha alcançado o mesmo nível de maturidade dos principais mercados globais.
A comparação com os Estados Unidos deixa evidente a diferença de escala. O mercado norte-americano concentra uma parcela expressiva da demanda mundial, enquanto os demais países, mesmo entre os maiores emissores, apresentam dimensões consideravelmente menores.
Para o Brasil, isso representa ao mesmo tempo uma limitação e uma oportunidade. O país já possui uma base de consumidores relevante, mas ainda existe potencial para ampliar a penetração dos cruzeiros entre os brasileiros.
O ponto central é que o crescimento da demanda precisa ser acompanhado pela oferta. Não basta haver mais pessoas interessadas em viajar de navio se a indústria não tiver capacidade, itinerários, conectividade e condições comerciais para absorver esse público.
Recuperação pós-pandemia recoloca o país no radar
O estudo também mostra que a trajetória brasileira foi afetada pela ruptura provocada pela pandemia, mas o mercado conseguiu recuperar sua posição entre os principais emissores globais. A retomada acompanha o movimento observado em mercados mais consolidados e indica que o cruzeiro voltou a ocupar espaço na decisão de viagem dos brasileiros.
Essa recuperação é particularmente importante para as companhias porque o Brasil reúne duas características complementares, que são um mercado emissor relevante e possuir condições para funcionar como destino de cruzeiros.

Essa combinação amplia o potencial da indústria no país. O mesmo consumidor que pode embarcar em um roteiro internacional também pode ser atraído para uma temporada nacional, enquanto o mercado doméstico pode ajudar a sustentar a operação de navios posicionados na costa brasileira.
Destinos ajudam a explicar o comportamento do viajante
A análise da demanda brasileira também passa pelos destinos escolhidos. A distribuição das viagens entre diferentes regiões permite identificar preferências e entender como o consumidor nacional se posiciona diante das alternativas disponíveis no mercado internacional.
Entre os fatores que influenciam essas escolhas estão proximidade geográfica, conectividade aérea, oferta de itinerários e características da operação das companhias.
Esse aspecto é estratégico porque demonstra que crescimento não depende exclusivamente do número de brasileiros interessados em cruzeiros. A capacidade de transformar interesse em reserva também está relacionada à facilidade de acesso aos portos, à variedade de roteiros e à adequação dos produtos às diferentes faixas de consumidores.
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