Números seguem positivos em 2026, com avanços no turismo internacional, doméstico e na indústria de cruzeiros
Por Aline Andrade
Brasília recebe, nesta quarta-feira (26), o 8º Fórum CLIA Brasil 2026, um dos principais encontros da indústria de cruzeiros no país. A cerimônia de abertura reuniu autoridades, executivos, representantes de companhias marítimas, destinos turísticos, portos, terminais e entidades do setor para discutir os caminhos de expansão e fortalecimento da atividade no Brasil.
A abertura contou com a participação do ministro do Turismo, Gustavo da Costa Feliciano, que apresentou um panorama do momento vivido pelo turismo brasileiro e destacou os recordes alcançados pelo país nos últimos anos.

Segundo o ministro, o turismo nacional atravessa um período de desempenho histórico. Em 2025, o Brasil alcançou 9 milhões de turistas internacionais, marca inédita para o país, enquanto os indicadores de 2026 continuam apontando para um cenário positivo.
“De 2023 até agora, alcançamos inúmeros recordes”, afirma Feliciano durante sua participação no Fórum. O ministro também ressaltou que, entre janeiro e julho de 2026, o Brasil já registrou quase 100 milhões de turistas estrangeiros, além de resultados expressivos no turismo doméstico.
Mercado interno
No mercado interno, o setor também apresenta números robustos. De janeiro a julho de 2026, o turismo doméstico movimentou cerca de 59 bilhões de viagens, segundo os dados apresentados pelo ministro. Os gastos de turistas estrangeiros no país também seguem em patamar elevado, ultrapassando US$ 6 bilhões somente neste ano.
Para Feliciano, entretanto, um dos indicadores mais relevantes está relacionado à capacidade do turismo de gerar emprego e renda. O setor já responde por aproximadamente 2,4 milhões de postos de trabalho, reforçando seu papel não apenas econômico, mas também social.
“O turismo é um vetor econômico de transformação e também um vetor social, que gera emprego, renda e, principalmente, dignidade para o nosso povo”, destaca.
O ministro também dedicou parte de sua fala à indústria de cruzeiros, ressaltando a importância da atividade para a diversificação da oferta turística brasileira e para a movimentação econômica de diferentes destinos.
Cruzeiros ganham espaço na agenda do turismo brasileiro

Durante a abertura, Feliciano destacou o crescimento anunciado para a próxima temporada de cruzeiros, com aumento de 25% na oferta, além da previsão de cerca de 230 mil leitos adicionais.
De acordo com o ministro, o impacto dos cruzeiros vai muito além do destino de embarque ou da cidade visitada durante uma escala. O modelo permite que o viajante conheça diferentes regiões e municípios em uma mesma viagem, ampliando a distribuição dos benefícios econômicos da atividade.
Ele também ressaltou a expansão da temporada para cidades que não estavam inseridas em roteiros anteriores, movimento que, segundo o ministro, contribui para ampliar a capilaridade do turismo marítimo no território nacional.
Feliciano reforçou ainda a necessidade de uma atuação conjunta entre governo, entidades e empresas para enfrentar questões que influenciam diretamente a competitividade do setor, como custos portuários, regulamentação, segurança jurídica e diferentes procedimentos adotados pelos estados.
“O governo não é só uma parte da engrenagem. Existem várias questões que impactam o custo da operação dos cruzeiros, desde a recepção e operação nos portos até a regulamentação e a segurança jurídica”, pontua.
Brasil como líder regional
Outro ponto abordado pelo ministro foi a importância de uma maior integração entre os países da América do Sul. Feliciano defendeu que o Brasil, por sua posição de liderança na captação de cruzeiristas na região, deve contribuir para a construção de estratégias conjuntas com destinos vizinhos, como o Uruguai.
Segundo ele, o viajante internacional que chega à América do Sul não necessariamente limita sua experiência a um único país. A integração de roteiros e destinos pode ampliar a permanência, o consumo turístico e os impactos econômicos em toda a região.
“O Brasil é o líder desse mercado na região e é importante ter essa consciência. Como líder, precisamos alinhar ações que tenham impacto não apenas no país, mas na região como um todo”, destaca.
O ministro encerrou sua participação destacando que o principal desafio agora é manter os resultados alcançados e ampliar ainda mais a participação do turismo na economia brasileira.
“Nosso grande desafio é manter e ampliar. Não queremos apenas manter o que conquistamos; queremos que o Brasil se torne essa potência turística que sempre almejamos”, declara.
Fórum CLIA Brasil 2026 reúne principais nomes do setor
Realizado em Brasília, o 8º Fórum CLIA Brasil 2026 se consolidou como um importante espaço de diálogo institucional e articulação da indústria de cruzeiros. A programação reúne discussões sobre competitividade, sustentabilidade, investimentos, infraestrutura, ambiente regulatório e perspectivas para o crescimento do setor.
A cerimônia de abertura contou com Bud Darr, presidente da CLIA Global; Estela Farina, presidente do Conselho da CLIA no Brasil; Marco Ferraz, presidente executivo da CLIA no Brasil; Ana Carolina Medeiros, presidente da ABAV Nacional; Fabiano Camargo, presidente do Conselho de Administração da Braztoa; Marina Marinho, presidente do Fornatur e secretária de Turismo do Rio Grande do Norte; Alexandre Sampaio, diretor da CNC; Philipe Ricciopo Karat, coordenador de Demanda a Transportes Multimodais da Embratur; Luis Antonio Sobrinho, consultor da Invest SP na Secretaria de Turismo e Viagens do Estado de São Paulo; e Gustavo da Costa Feliciano, ministro do Turismo.
O evento também presta uma homenagem especial a Marco Feitosa, reconhecido por sua contribuição ao turismo do município brasileiro.
Ao longo do dia, o Fórum CLIA Brasil promove debates que devem colocar em pauta os principais desafios e oportunidades para a indústria de cruzeiros, em um momento particularmente estratégico para o setor, diante do crescimento da oferta e da ampliação dos destinos contemplados pelas próximas temporadas.
Com os indicadores do turismo brasileiro em trajetória positiva e uma temporada de cruzeiros projetada para crescer, a mensagem deixada na abertura foi clara: o desafio agora não é apenas celebrar os recordes, mas transformar esse momento favorável em crescimento sustentável, geração de empregos, investimentos e maior competitividade para o Brasil.
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