Representantes das principais companhias discutem oportunidades, impasses e o papel dos cruzeiros para o desenvolvimento turístico
Por estagiária Sofia Kuhlmann
O potencial dos cruzeiros marítimos para impulsionar o turismo brasileiro foi tema de debate durante o Seminário LIDE Turismo, realizado em São Paulo nesta quarta-feira (10). Executivos das principais companhias do setor defenderam ações que tornem o Brasil mais competitivo para atrair investimentos e ampliar a presença de navios na costa nacional.
Durante o painel, representantes da MSC Cruzeiros, Costa Cruzeiros e Norwegian Cruise Line destacaram que o país reúne características favoráveis para o crescimento da atividade, mas ainda enfrenta desafios relacionados a custos operacionais, infraestrutura portuária e burocracia.
Brasil tem potencial, mas cresce abaixo do esperado

Para o diretor-geral da MSC Cruzeiros no Brasil, Adrian Ursilli, o país já ocupa uma posição de destaque na América do Sul, mas ainda está caminhando na direção de seu potencial.
“O Brasil é, sem sombra de dúvida, o principal destino da região. Mas temos muito para crescer. Esse é um trabalho que exige liderança, planejamento e união entre diferentes setores do turismo”, afirma Ursilli.

O empresário destacou ainda o papel dos cruzeiros na promoção dos destinos brasileiros. “Os cruzeiros funcionam como verdadeiros polinizadores do turismo. Muitas vezes o hóspede visita uma cidade por algumas horas e depois retorna para permanecer mais tempo naquele destino.”
Custos e infraestrutura limitam expansão
Na avaliação de Dario Rustico, presidente executivo da Costa Cruzeiros para as Américas, o principal desafio do Brasil é a competitividade.
“Um cruzeiro de sete noites no Brasil pode custar entre 40% e 50% mais para operar do que roteiros equivalentes no Caribe, Mediterrâneo ou Ilhas Canárias”. Segundo o Dario, os navios são ativos globais e podem ser deslocados para mercados mais atrativos. “Se o destino apresenta atratividade econômica, as companhias aumentam a oferta. Se não, os navios migram para outras regiões”.

Potencial turístico ainda pode ser melhor aproveitado
Diretora-geral da Norwegian Cruise Line Holdings no Brasil, Estela Farina afirma que acompanha o mercado há mais de três décadas e vê espaço para uma expansão muito maior da atividade no país.

Farina ressalta ainda a contribuição dos cruzeiros para o desenvolvimento turístico de diversos destinos brasileiros.
“Búzios é um exemplo clássico. O destino com certeza entrou no mapa turístico nacional através dos cruzeiros!”

Jeanine Pires, ex-presidente da Embratur, defende que o sucesso de um destino não deve ser medido apenas pela quantidade de turistas recebidos.
“Falta saber quantos dias esse visitante fica, quanto ele gasta e qual foi a experiência que teve no relacionamento com a comunidade que o recebeu”.
Jeanine também destaca o potencial dos cruzeiros como ferramenta para eventos, viagens de incentivo e integração regional, incluindo oportunidades para o desenvolvimento de roteiros fluviais no Brasil.
Apesar dos desafios, os representantes demonstraram otimismo em relação ao futuro do setor no país. O consenso foi que o Brasil possui demanda, atrativos naturais e capacidade para receber mais navios, desde que haja planejamento e avanços estruturais.
“Temos todos os ingredientes na mesa. O que falta é liderança, ambição e uma visão de desenvolvimento”, resume Dario Rustico.
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