Projeto busca acelerar a adoção de energia em terra para embarcações e reduzir emissões nos portos
Por Redação Krooze
Um consórcio marítimo apoiado pelo governo do Reino Unido concluiu com sucesso o estudo de viabilidade do que pode se tornar o primeiro centro de energia flutuante movido a hidrogênio totalmente independente da rede elétrica do mundo. A proposta foi desenvolvida para fornecer energia limpa a navios atracados sem depender da infraestrutura elétrica já existente nos portos.
A solução consiste em duas plataformas flutuantes que, juntas, ocupam aproximadamente 1.200 metros quadrados e incorporam cerca de 45 MWh de capacidade de armazenamento em baterias. Segundo os responsáveis pelo projeto, a estrutura é capaz de fornecer até 5 MW de eletricidade contínua por meio de conexões de energia em terra de 6,6 kV e 11 kV.
O objetivo do projeto para os navios
O sistema foi concebido para atender embarcações atracadas, incluindo navios de cruzeiro de médio porte e outros grandes ativos marítimos. O objetivo é superar desafios enfrentados por diversos portos ao implementar sistemas de fornecimento de energia em terra, como limitações da rede elétrica, altos custos de infraestrutura, falta de espaço disponível, processos de licenciamento complexos e longos prazos de implementação.

Atualmente, projetos convencionais de eletrificação portuária podem levar entre três e sete anos para serem concluídos, frequentemente exigindo reforços na rede elétrica, modernização de subestações e extensas obras civis.
Ao transferir a infraestrutura energética para plataformas flutuantes, o consórcio acredita que os portos poderão oferecer energia limpa às embarcações sem a necessidade de grandes intervenções em terra ou de novas conexões à rede elétrica local.
Como funciona o sistema
A plataforma foi projetada para fornecer aproximadamente 91 MWh de energia por semana e suportar operações frequentes de conexão de embarcações.
Em vez de utilizar grandes geradores, a solução emprega células de combustível modulares de 1,3 MW, responsáveis por carregar continuamente as baterias instaladas a bordo. Quando um navio se conecta ao sistema, a energia armazenada é liberada rapidamente para atender à demanda. O conceito funciona como uma enorme bateria flutuante que é carregada ao longo da semana e disponibiliza grandes quantidades de energia quando as embarcações chegam ao porto.

O hidrogênio utilizado é armazenado em contêineres modulares de baixa pressão compatíveis com os padrões ISO e integrados à estrutura da plataforma. O projeto prevê sete tanques de armazenamento e um consumo semanal entre 7.500 e 8.000 quilos de hidrogênio, com reabastecimento estimado em cerca de duas vezes por semana.
Além disso, a instalação incorpora até 146 kW de geração solar, contribuindo para reduzir o consumo de hidrogênio e aumentar a eficiência energética da operação.
Potencial para o setor de navios de cruzeiros
Caso avance para a fase de implementação comercial, a tecnologia poderá representar uma alternativa relevante para portos que buscam reduzir emissões e ampliar a oferta de energia em terra para navios de cruzeiro e outras embarcações, especialmente em locais onde a capacidade da rede elétrica é limitada ou os custos de expansão da infraestrutura são elevados.
Mercado brasileiro
Para o mercado brasileiro de cruzeiros, iniciativas como essa podem representar um avanço significativo na modernização da infraestrutura portuária e na redução das emissões durante as escalas. Atualmente, muitos navios mantêm seus motores auxiliares em funcionamento enquanto estão atracados para garantir o fornecimento de energia a bordo. Com soluções flutuantes de energia limpa, os portos poderiam oferecer eletricidade aos navios sem a necessidade de grandes investimentos em expansão da rede elétrica local, reduzindo a emissão de gases de efeito estufa, ruídos e a poluição atmosférica nas áreas portuárias.
Em uma temporada que registra movimentação crescente de hóspedes e embarcações nos portos brasileiros, tecnologias desse tipo também podem contribuir para tornar o setor mais sustentável e alinhado às metas ambientais adotadas pela indústria global de cruzeiros.
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