Estudo realizado pela FGV para a CLIA revela o impacto do setor, traça o perfil do cruzeirista e aponta crescimento da oferta para 817 mil leitos na próxima temporada
Por Aline Andrade
A indústria de cruzeiros encerrou a temporada 2025/2026 com números que evidenciam, ao mesmo tempo, a relevância econômica do setor e o amplo espaço que o Brasil ainda possui para crescer. Os dados foram apresentados por Marco Ferraz, presidente da CLIA Brasil, durante o 8º Fórum CLIA, com base em estudo realizado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) para a CLIA.
A pesquisa analisou o impacto econômico da atividade, o comportamento dos cruzeiristas e as perspectivas para a próxima temporada. O levantamento entrevistou cerca de 1.200 pessoas em Santos, Rio de Janeiro e Itajaí, durante quatro meses, contemplando tanto cruzeiristas em trânsito quanto hóspedes em desembarque final.
Temporada 2025/2026 teve sete navios e 672 mil leitos

A temporada 2025/2026 contou com sete navios, dois a menos que no período anterior. Ao todo, foram 160 itinerários e uma oferta de aproximadamente 672 mil leitos, além de cerca de 8 mil tripulantes.
O movimento representou uma redução de aproximadamente 235 mil cruzeiristas em relação à temporada anterior, totalizando cerca de 662 mil viajantes. A retração também repercutiu no impacto econômico da atividade e na geração de empregos.
Mesmo diante da redução da oferta, os navios permaneceram com elevada ocupação. O número médio de cruzeiristas por navio ficou em aproximadamente 86 mil por embarcação ao longo da temporada, considerando a movimentação total do período.
Outro dado que chama atenção é o crescimento da presença internacional: houve 23% mais cruzeiristas estrangeiros no Brasil em comparação com a temporada anterior, reforçando o potencial do país como destino para o mercado internacional de cruzeiros.
Cada navio movimenta milhões e amplia o efeito econômico
O estudo também dimensiona a capacidade de transformação econômica provocada pela atividade. Segundo os dados apresentados, cada real investido pelas companhias de cruzeiro movimenta R$ 3,89 na economia brasileira.
A redução de navios, portanto, tem efeito direto sobre diversos segmentos. Na temporada analisada, o impacto econômico das armadoras recuou de aproximadamente R$ 3,27 bilhões para R$ 2,54 bilhões.
Entre os setores mais afetados está a cadeia de alimentos e bebidas, que registrou uma redução estimada em R$ 300 milhões no impacto econômico. A atividade movimenta produtores e fornecedores de vegetais, ovos, carnes, frango, peixes e diversos outros produtos embarcados nos navios. O varejo também sentiu a retração, com cerca de R$ 130 milhões a menos em impacto nos destinos.
A geração de empregos acompanhou o movimento: foram aproximadamente 64 mil postos de trabalho relacionados à atividade na temporada, ante cerca de 90 mil no período anterior. O setor também gerou aproximadamente R$ 217 milhões em impostos.
Quem é o cruzeirista brasileiro?

Além dos números econômicos, o levantamento apresenta um retrato detalhado de quem escolhe viajar de navio. A idade média do cruzeirista no Brasil é de 45 anos, cerca de um ano e meio abaixo da média mundial. 56% são casados, enquanto 64% possuem ensino superior.
A viagem acompanhada continua predominante: 85% viajam acompanhados, enquanto aproximadamente 14% a 15% realizam o cruzeiro sozinhos. Outro dado relevante está na faixa de renda. Cerca de 60% dos entrevistados declararam renda mensal entre R$ 5 mil e R$ 10 mil, evidenciando a força da classe média no consumo de cruzeiros.
Aéreo e cruzeiros caminham juntos

A integração entre transporte aéreo e marítimo também aparece como uma oportunidade estratégica para o Brasil. Cerca de 42% dos cruzeiristas chegaram ao ponto de embarque utilizando avião. Considerando uma temporada de aproximadamente 600 mil viajantes, o número representa potencialmente centenas de milhares de passagens aéreas associadas ao turismo de cruzeiros.
Para destinos como Santos, Rio de Janeiro e Salvador, a proximidade e a conectividade com aeroportos tornam-se, portanto, elementos fundamentais para ampliar a capacidade de atração do produto.
Oportunidade para baixa temporada e permanência nos destinos
O comportamento do cruzeirista também revela espaço para ampliar a permanência nas cidades. Cerca de 13% dos viajantes estão chegando antes ou permanecendo depois do cruzeiro, transformando a viagem marítima em uma oportunidade adicional para hotéis, restaurantes, atrações e comércio.
Outro dado promissor é que 77% dos entrevistados afirmaram estar abertos a viajar na baixa temporada, indicando uma possibilidade concreta de reduzir a concentração da demanda em determinados períodos do ano.
Temporada 2026/2027 terá oito navios e 817 mil leitos
Para 2026/2027, a previsão é de oito navios, 187 roteiros e aproximadamente 817 mil leitos, representando uma recuperação da oferta em relação ao período anterior.
A próxima temporada contará ainda com sete portos de embarque: Paranaguá, Balneário Camboriú, Itajaí, Santos, Rio de Janeiro, Salvador e Maceió. Santos continuará como principal polo de movimentação, com 142 escalas previstas, enquanto outros destinos também terão participação expressiva, como Búzios, Rio de Janeiro, Balneário Camboriú e Salvador.
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