Estrutura municipal de 3.200 metros quadrados será instalada na Vila Portuária, com capacidade para cerca de 1.560 cruzeiristas simultaneamente
Por Aline Andrade
Itajaí, em Santa Catarina, prepara uma nova estrutura para atender à crescente operação de cruzeiros na cidade. O município está implantando o Terminal Marítimo de Passageiros de Itajaí, uma estrutura modular e de propriedade municipal que será construída na Rua Izabel Ramos Fabeni, na Vila Portuária, em área dedicada e próxima ao complexo portuário.
O terminal terá 3.200 metros quadrados de área construída, com 2.895 metros quadrados de área operacional útil, distribuída em 16 zonas funcionais. O investimento previsto é de R$ 20 milhões em recursos próprios do Município de Itajaí.
A capacidade projetada é de aproximadamente 1.560 cruzeiristas simultaneamente, com vazão de embarque de até 480 por hora. A estrutura deverá estar concluída até 13 de novembro de 2026, enquanto a primeira escala está programada para 25 de novembro de 2026, dando início à operação durante a temporada 2026/2027.

Uma estrutura pensada para o embarque
O novo terminal foi projetado para organizar as diferentes etapas que envolvem a entrada e a saída de cruzeiristas de navios de cruzeiro. O projeto contempla áreas específicas para retirada e despacho de bagagens, espera, inspeção, check-in, atuação da Polícia Federal, recepção, além de espaços de apoio.
Entre as áreas funcionais previstas estão 1.054 metros quadrados para retirada de bagagens, 425 metros quadrados para o lounge de espera, 240 metros quadrados para inspeção com scanner de mão, 210 metros quadrados para scanner e processamento de malas, 143 metros quadrados para despacho de bagagens e 130 metros quadrados destinados ao check-in.
Também estão previstos 121 metros quadrados para a Polícia Federal, 98 metros quadrados para recepção e fila de inspeção e 197 metros quadrados para banheiros, salas técnicas, sala de família e ambulatório.
A concepção modular é uma resposta ao cronograma da operação. A apresentação do município destaca que, entre a conclusão da estrutura e a chegada do primeiro viajante, haverá apenas 12 dias. Por isso, a velocidade de montagem foi tratada como um requisito operacional, e não como uma escolha estética do projeto.
Itajaí já apresenta uma operação relevante
A necessidade de uma estrutura dedicada está diretamente relacionada ao desempenho da cidade na temporada anterior. Entre 30 de novembro de 2025 e 18 de abril de 2026, Itajaí recebeu 37 escalas, em 140 dias de operação. Nesse período, foram registrados 169.511 cruzeiristas movimentados na operação, enquanto 63.150 embarcaram ou desembarcaram na cidade.
A ocupação média dos navios nas operações chegou a 86% da capacidade. Além disso, 89,1% da movimentação em escalas correspondeu a viajantes que desembarcaram em Itajaí e permaneceram no destino durante a escala, segundo os dados apresentados pelo município.
O desempenho também colocou a cidade em posição de destaque no mercado. Itajaí foi apontada como o terceiro porto em movimentação de viajantes de cruzeiros na América do Sul, atrás de Santos e Buenos Aires, e como o segundo porto brasileiro, atrás de Santos.
A cidade também recebeu o reconhecimento de Melhores Portos de Embarque no Krooze Awards, categoria que avalia a qualidade da operação durante a temporada brasileira.

Localização favorece o modelo de porto-base
A escolha da Vila Portuária é outro elemento estratégico do projeto. A partir do terminal, o Aeroporto Internacional de Navegantes fica a aproximadamente quatro quilômetros, enquanto o Centro Histórico de Itajaí está a dois quilômetros.

A Praia Brava e Cabeçudas ficam a cerca de três quilômetros, e a rede hoteleira, a quatro quilômetros. Essa proximidade foi apresentada como uma das bases para o desenvolvimento da operação de porto-base, modelo no qual o viajante inicia ou termina sua viagem na cidade.
A estratégia é diferente de uma operação exclusivamente de escala. No embarque, o viajante precisa chegar ao destino antes da partida do navio, realizar procedimentos de check-in, entregar a bagagem e passar pelos controles necessários. Isso amplia o potencial de utilização de hotéis, restaurantes, transporte e outros serviços turísticos da região.
O projeto apresentado pelo município também destaca que Itajaí está conectada a outros destinos turísticos do litoral catarinense, como Navegantes, Balneário Camboriú, Bombinhas e Itapema.
Terminal municipal é diferente do projeto definitivo
Um dos pontos destacados na apresentação é a necessidade de separar o novo terminal municipal do projeto de longo prazo previsto para a área portuária.
A estrutura que será utilizada a partir de 2026/2027 não é o megaterminal de aproximadamente R$ 300 milhões previsto no masterplan. O terminal municipal foi concebido para atender à operação no curto prazo, enquanto o projeto definitivo está relacionado ao futuro modelo de concessão federal do Porto.
A intenção do município é utilizar a experiência acumulada com a operação atual e com o novo terminal para avançar na estruturação de uma infraestrutura permanente voltada aos cruzeiros.
Nesse processo, Itajaí apresentou à Antaq três principais demandas: qualificar a área como Terminal de Cruzeiros, antecipar estudos e obras e incorporar ao processo o acervo técnico já produzido.
Entre os estudos mencionados estão o MasterPlan, a modelagem hidrodinâmica e os estudos de amarração já entregues à União.
O desafio é transformar desempenho em estrutura permanente
O novo terminal representa, portanto, uma mudança de escala na organização da operação de cruzeiristas em Itajaí. A cidade deixa de depender exclusivamente de uma estrutura adaptada e passa a contar com um espaço projetado para receber os diferentes fluxos envolvidos no embarque e desembarque de cruzeiristas.
O calendário será determinante. Com a estrutura prevista para ser concluída em 13 de novembro de 2026 e o primeiro navio programado para 25 de novembro, a implantação terá de cumprir um cronograma curto para que a operação comece dentro da temporada.
Mais do que uma nova instalação física, o terminal funciona como uma etapa de um projeto maior: consolidar Itajaí como porto-base e hub de cruzeiros do Sul do Brasil. A temporada 2026/2027 será o primeiro teste da estrutura e poderá fornecer os dados necessários para sustentar a próxima fase do planejamento portuário da cidade.
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