Gerente de cassino da Crystal Cruises revela rotina, regras e o papel do cassino como entretenimento em alto-mar
Por estagiária Sofia Kuhlmann
Os cassinos são uma das atrações mais tradicionais dos cruzeiros, mas o funcionamento dessas operações segue regras específicas, especialmente quando o navio navega por diferentes jurisdições. Em entrevista à Condé Nast Traveler, o gerente de cassino Josh Simonetti, da Crystal Cruises, detalhou como é operar um cassino em alto-mar e qual é o papel desse espaço dentro da experiência de viagem.
Cassino é operado apenas em águas internacionais
Um dos principais pontos do funcionamento de cassinos em cruzeiros está relacionado à legislação. As atividades só são permitidas quando o navio está em águas internacionais. “No mundo dos cassinos, não podemos operar até estarmos em águas internacionais ou a uma certa distância da costa”, explica Simonetti.
Isso significa que, em portos, incluindo o Brasil, onde jogos de azar não são permitidos, os ambientes permanecem fechados. A operação começa apenas após o navio deixar a área territorial.
Dica Krooze: no Brasil, cassinos em cruzeiros só funcionam quando estão cerca de 22 km da costa, pois dentro do território valem as leis nacionais que restringem jogos de azar, além das regras do direito marítimo internacional.
Rotina varia entre dias de navegação e escalas
Como dito anteriormente, em dias de porto, a operação dos cassinos é suspensa, e a equipe costuma aproveitar para descansar ou explorar os destinos.

Já em dias de navegação, o cassino abre ao longo do dia e intensifica as atividades à noite. “Abrimos as máquinas caça-níqueis por volta das 10h e os jogos de mesa às 13h. À noite, voltamos com força total para entreter os hóspedes”, afirma.
Entre os jogos disponíveis estão blackjack, roleta, pôquer e torneios, adaptados ao perfil do público a bordo.
Entretenimento, não aposta: foco está na experiência
Apesar da presença dos jogos, o cassino é tratado como uma opção de entretenimento dentro do cruzeiro, e não como foco principal da viagem.

“Ninguém está tentando pagar a hipoteca com ganhos no cruzeiro. É entretenimento. Queremos que as pessoas se divirtam”, destaca Simonetti. A proposta é criar um ambiente acolhedor, especialmente para iniciantes, com uma abordagem menos intimidadora do que cassinos em terra.
Integração com a experiência de luxo a bordo

No caso da Crystal Cruises, o cassino acompanha o posicionamento da companhia, voltado ao ultraluxo. O ambiente é menor, com design sofisticado e atendimento personalizado.

A bordo do Crystal Serenity, que acomoda 740 hóspedes e tem alta proporção de tripulação por hóspede, o cassino se integra a outras experiências, como gastronomia, entretenimento e atividades culturais.
Josh destaca que o diferencial do ambiente a bordo é a proximidade entre equipe e viajantes, especialmente em cruzeiros mais longos. “O mais gratificante é quando recebemos hóspedes recorrentes. Eles lembram nossos nomes, e nós lembramos dos deles. Com o tempo, vira uma comunidade”.
A vida profissional em um cassino a bordo também envolve desafios, como os longos períodos longe de casa, mas oferece uma rotina única.
Simonetti relata que, ao longo da carreira, já visitou dezenas de países e teve experiências em destinos variados, de fiordes noruegueses a cidades asiáticas, e que é grato pelo seu tão diferente e especial trabalho.
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