Thomas Weber destaca expectativa de crescimento de cerca de 10% no número de escalas na temporada 26/27, melhorias na recepção dos hóspedes e importância do Krooze Awards
Por Aline Andrade
Com praias, gastronomia, comércio, passeios e uma atmosfera cosmopolita reconhecida internacionalmente, Armação dos Búzios, no Rio de Janeiro, se prepara para mais uma temporada de cruzeiros com perspectivas de crescimento. Para o secretário de Turismo do município, Thomas Weber, receber os navios vai muito além do movimento de milhares de visitantes: representa uma oportunidade de apresentar Búzios ao mundo e fazer com que uma escala de poucas horas seja o primeiro contato de uma futura viagem ao destino.
Em entrevista à Krooze, o secretário falou sobre os preparativos para a temporada de cruzeiros 2026/2027 em Búzios, as melhorias realizadas na recepção dos hóspedes, os desafios do desembarque por tenders (barcos) e o impacto da atividade na economia local. Weber também comentou a participação do município no Krooze Awards 2026, no qual Búzios volta a concorrer entre os destinos brasileiros na categoria Melhor Escala de Cruzeiros.
Búzios espera crescimento na temporada de cruzeiros 2026/2027
Depois de uma temporada movimentada, Búzios projeta um novo avanço no próximo verão. A expectativa é de que o município registre crescimento em torno de 10% no número de escalas de cruzeiros.
Na temporada anterior foram realizadas 93 escalas, que contribuíram para levar cerca de 300 mil visitantes ao destino. Para o próximo ciclo, além do aumento das operações, a chegada dos primeiros navios deverá acontecer mais cedo, ainda em setembro.
A expansão, porém, precisa respeitar as características do município. Búzios não possui um terminal onde os grandes navios possam atracar diretamente. As embarcações permanecem fundeadas e os hóspedes são transportados até terra por meio de tenders.
Além disso, o secretário explica que a legislação estabelece um limite de dois navios fundeados por dia. Por isso, o caminho para o crescimento não está necessariamente em concentrar mais embarcações simultaneamente, mas em ampliar a quantidade de dias com escalas e, futuramente, estender a própria temporada.

“O que nós podemos fazer é ampliar a quantidade de escalas e, obviamente, tentar ampliar a temporada. O meu desejo como secretário seria que a gente tivesse o ano todo”, afirma.
O secretário também revela uma ambição de longo prazo: transformar Búzios em um destino que possa receber operações de embarque e desembarque de cruzeiros, estimulando estadias antes e depois das viagens.
“Gostaria de ter o embarque e desembarque possível aqui em Búzios, no sentido de a pessoa ficar hospedada na cidade dois ou três dias, embarcar no transatlântico, fazer o roteiro e, ao desembarcar, ficar mais alguns dias aqui.”
Melhorias para quem chega de navio a Búzios
A preparação para a temporada passa também pela infraestrutura de recepção dos visitantes. O Píer do Centro, administrado pelo município e utilizado no desembarque, recebeu reforma em 2024 e vem passando por manutenções preventivas para permanecer em boas condições de operação.

Outro serviço oferecido aos visitantes é o acesso gratuito à internet na região de desembarque, iniciativa que, de acordo com o secretário, está disponível há três anos. A conectividade também funciona como ferramenta para facilitar o acesso dos hóspedes às informações sobre os serviços e atrativos disponíveis no destino.
Para a próxima temporada, uma novidade poderá começar antes mesmo de o visitante colocar os pés em terra. Após uma reunião de avaliação da última temporada, uma operadora de cruzeiros apresentou ao município a possibilidade de disponibilizar informações turísticas sobre Búzios a bordo dos navios.
A proposta é oferecer conteúdo institucional, sem caráter comercial, apresentando praias, características do destino, clima e possibilidades de experiências durante a escala.
Uma escala que funciona como “aperitivo” de Búzios

Para Thomas Weber, o principal diferencial de Búzios está justamente na combinação de atributos que o visitante encontra em poucas horas. Além das praias, quem desembarca pode explorar áreas como a Orla Bardot e a Rua das Pedras, conhecer o comércio, experimentar a gastronomia e escolher entre diferentes passeios.

Há opções de barco, lancha, buggy e jardineira, além de atividades ligadas à natureza e à aventura. Há ainda trilhas, mergulho e voo de asa-delta entre as experiências disponíveis no município.
Mas uma escala dificilmente permite conhecer tudo. E o secretário acredita que justamente aí existe uma oportunidade para Búzios.
“A pessoa, quando passa algumas horas na cidade, só consegue ter um aperitivo do que é Búzios. A gente tem que provocar esse gostinho de que faltou muita coisa para ela conhecer, para ficar realmente pendente o retorno o mais rápido possível.”
Transformar o visitante de um dia em um futuro turista de permanência mais longa é, portanto, um dos desafios apontados pelo secretário. Para ele, a diversidade de experiências permite que o município continue oferecendo motivos para uma nova visita mesmo depois do primeiro contato proporcionado pelo cruzeiro.
Cruzeiros movimentam comércio, bares e restaurantes
O impacto das escalas também chega diretamente à economia local. O comércio, bares, restaurantes e serviços turísticos estão entre os segmentos beneficiados nos dias de operação.
O reflexo pode ser percebido inclusive nos horários de funcionamento. A Rua das Pedras, conhecida pela intensa vida noturna, ganha movimento também durante o dia quando há navios na cidade, fazendo com que estabelecimentos iniciem suas atividades mais cedo para atender aos visitantes.
Além do consumo imediato, Weber ressalta um efeito menos visível, mas estratégico: a exposição internacional proporcionada pela presença de Búzios nos itinerários das companhias de cruzeiros. Para o secretário, estar nos roteiros significa também aparecer em catálogos, sites e materiais comercializados por agências e operadoras em diferentes mercados internacionais.
Krooze Awards amplia reconhecimento de Búzios no mercado de cruzeiros
Essa projeção também está entre os motivos pelos quais Weber considera importante o reconhecimento de Búzios no Krooze Awards. Finalista anteriormente na categoria dedicada às melhores escalas, o município volta à premiação em 2026.
Para o secretário, uma eventual vitória representaria mais do que um troféu. Seria uma forma de reforçar a presença do destino perante a indústria e os viajantes.
“Tem a questão da divulgação, não só da quantidade de cruzeiristas que são atraídos, mas a importância de Búzios estar no roteiro e no catálogo sendo oferecido no mundo inteiro, em todas as agências e operadoras mundo afora. Isso nos coloca numa situação muito importante.”
A declaração reforça a visão de que os cruzeiros funcionam como uma vitrine internacional para Búzios. Cada navio em escala diante da cidade não representa apenas milhares de visitantes naquele dia, mas também a presença do destino no portfólio global das companhias.
Vento ainda é desafio para o desembarque por tenders
Apesar dos avanços, a operação de cruzeiros em Búzios apresenta desafios particulares. Como o desembarque não é realizado em um porto, as condições meteorológicas têm impacto direto sobre a operação.
“O principal desafio que a gente tem a vencer é a questão do vento”, resume Weber.
Uma das alternativas em análise é estabelecer um ponto adicional de fundeio. A ideia, segundo o secretário, não seria permitir a presença de um terceiro navio simultaneamente, mas oferecer uma posição alternativa, mais próxima do píer, que pudesse facilitar o transporte dos hóspedes em determinadas condições de vento.
Outra melhoria estudada é a ampliação da largura do Píer do Centro, buscando melhorar o fluxo de pessoas e embarcações. A estrutura não atende exclusivamente aos cruzeiros e também recebe embarcações utilizadas em passeios turísticos, o que aumenta a movimentação no local.
Turismo de cruzeiros e preservação ambiental
A sustentabilidade também faz parte da discussão sobre a expansão da atividade. Weber destaca que áreas próximas onde o navio encontra-se ancorado, recebem ações de controle, manejo e campanhas periódicas de limpeza do fundo do mar.
O município conta ainda com estruturas administrativas voltadas ao meio ambiente, clima e sustentabilidade. Segundo o secretário, até mesmo essa limitação está relacionada à preocupação com os impactos ambientais da operação.
O objetivo é encontrar um equilíbrio entre o crescimento do turismo de cruzeiros e a preservação de um dos principais patrimônios de Búzios: seu ambiente natural.
“Ninguém pode vir ao Brasil sem conhecer Búzios”.
Quando questionado sobre por que as companhias deveriam manter Búzios entre suas escalas no Brasil, Weber reconhece que não consegue esconder sua relação com o destino.
“Eu adoro Búzios e acho que ninguém pode vir ao Brasil sem conhecer Búzios. Essa é a minha premissa.”
Para além da paixão pessoal, o secretário aponta o caráter internacional da cidade como um dos grandes diferenciais. Segundo ele, mais de 50 nacionalidades estão representadas entre os residentes do município, criando uma mistura cultural que se soma à história, ao charme e à fama internacional construída pelo destino.
A proximidade com grandes mercados emissores, especialmente Rio de Janeiro e São Paulo, completa essa combinação.
É justamente essa mistura que ajuda a explicar a permanência de Búzios nos itinerários de cruzeiros: o visitante desembarca por algumas horas, encontra praias, gastronomia, comércio, cultura e diferentes experiências, e parte com a sensação de que ainda há muito para descobrir.
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